Sensação em Arteterapia

Falar das sensações em arteterapia é tocar nos nossos sentimento, nas nossas emoções.
A sensação é a forma como absorvemos as experiências externas e isso acontece através dos sentidos (tato, audição, visão, paladar, olfato) e à medida que os nossos sentidos despertam, fortalecemos os nossos instrumentos de contato que são: olhar, tocar, escutar, cheirar, sentir o gosto, então quando isso acontece, conhecemos novamente o nosso corpo, aprendemos que podemos fazer escolhas e verbalizar nossos desejos, necessidades, pensamentos, e isso é se conhecer. A criança que não é verbal ela está expressando os seus sentimentos também, e ela está recebendo os mesmos benefícios da criança que é verbal.

A sensação é uma resposta sensorial interna porque ela acontece dentro da pessoa e está relacionada aos estímulos que nós recebemos do mundo, do meio em que vivemos.

O estimulo pode ser o mesmo, mas a maneira como cada um é afetado é diferente porque temos a nossa subjetividade e não importa se a pessoa está no espectro ou não, todos somos seres únicos e é a partir desse reconhecimento do que sentimos que vamos construindo a realidade dentro de nós pelas nossas sensações que aquelas experiências nos causaram. (Não existe maneira de compreender o mundo sem antes detectá-lo por meio de nossos sentidos).

Quando trabalhamos com modelagem ativamos a percepção tátil, a consciência. Percebemos que vivemos em um mundo tridimensional de volumes e de contornos. Desenvolvemos a coordenação motora, a imaginação.

A modelagem é uma atividade relaxante, liberadora de tensão que ativa a agilidade e a flexibilidade produzindo sensações de realização de algo mágico que se transforma à medida que manipulamos o material. As características dele atingem diretamente quem os usa.

Ele nos sugere uma possibilidade de sairmos da dureza, rigidez e sermos mais flexíveis refazendo as nossas escolhas e isso tem um valor psíquico muito grande porque quando desmanchamos e fazemos diferente nós estamos exercitando a capacidade de adaptação à mudança, de comunicação. Falamos de neuroplasticidade e da possibilidade de fazermos novas conexões.

Quando começamos a nos perceber como indivíduo no mundo, sentindo, elaborando e aprendendo, estamos nos conhecendo e essa compreensão se faz pelo corpo, o psiquismo não está preso na mente, ele se expressa pelo corpo inteiro.

Procuramos trabalhar em duplas e isso nos ajuda na busca de uma interação e de socialização que são muito necessárias que sejam trabalhadas principalmente com as pessoas que estão no espectro.

Estar desenvolvendo algo junto com o outro é a possibilidade de aprender não só com o que faço, mas afetar e ser afetado pelo outro, ser tocado por algo que me diz respeito e não foi feito por mim.

Isso nos fala que para além da subjetividade tem algo que nos irmana que é a nossa humanidade, somos humanos e essa é uma possibilidade de exercitar e sentir o outro como extensão de nós mesmos e isso traz o sentimento de pertencimento mesmo que as palavras não sejam ditas.

QUERO APOIAR A CAUSA DOS AUTISTAS!