Fonte: Revista Autismo e Realidade

A condição é permanente e os desafios, cuidados e limitações variam em cada etapa da vida.
Quando o assunto é autismo, muito se fala das crianças, já que é possível identificar os primeiros sinais e iniciar alguns tratamentos antes dos 2 anos de idade. Mas é importante lembrar que o TEA é um distúrbio permanente, que vai apresentar alterações ao longo da vida do portador. Assim como qualquer outra pessoa, o autista terá que lidar com mudanças relevantes na infância, adolescência e idade adulta. A sua habilidade para navegar essas transições vai depender do apoio profissional e familiar que atenda às suas necessidades nos campos de saúde, educação, emprego, lazer e relacionamentos.

Primeira infância (0 a 6 anos)

Os sintomas de transtornos do espectro autista já são visíveis em bebês (saiba mais sobre as características aqui e aqui, e caso haja a suspeita de algum distúrbio no desenvolvimento, os pais e responsáveis devem investigar o quanto antes. A avaliação é feita por uma equipe multidisciplinar, composta por pediatra, psicólogo, psiquiatra, neurologista e fonoaudiólogo. O diagnóstico precoce é um dos principais focos da pesquisa sobre os TEA, já que permite antecipar o tratamento adequado para o tipo de transtorno e o nível de funcionalidade do portador. O acompanhamento especializado desde os primeiros anos pode amenizar significativamente os sintomas e reduzir em até dois terços os custos dos cuidados ao longo da vida.

Os interesses, habilidades e necessidades do portador vão ajudar a planejar a sua nova rotina na idade adulta.

Idade Escolar

A passagem da infância para a adolescência traz novas oportunidades de socialização e aprendizado, e os pais junto com a equipe de cuidadores devem entender as melhores maneiras de ampliar o horizonte do portador. A evolução da criança costuma alterar o plano de tratamento, com a inclusão de novas abordagens, como o método ABA, terapia comportamental ou ocupacional. Também pode ser recomendado que o portador frequente a escola regular, faça cursos ou pratique esportes para conviver com novos estímulos.

Idade Adulta

A preparação para transição deve começar ainda na adolescência. É importante que o portador, pais e cuidadores conversem sobre os interesses, habilidades e necessidades do indivíduo para entender quais serão as prioridades desta nova fase. Com isto definido, é hora de analisar os serviços de apoio que serão necessários, como treinamento vocacional, educação técnica ou superior, coaching para empregos e suporte para habitação, entre outros. O tratamento clínico também costuma ser alterado, enfatizando as habilidades de autoajuda para promover uma maior independência de acordo com o nível de funcionalidade de cada pessoa. Ao longo do caminho, é importante monitorar a saúde mental do portador, já que pesquisas recentes apontam que jovens adultos com TEA têm um risco maior de desenvolver depressão do que pessoas sem o transtorno.


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