Na AMAES, acreditamos que informação de qualidade contribui para uma sociedade mais acolhedora e inclusiva. Cada pessoa autista possui características, necessidades e potencialidades próprias. Por isso, é importante abordar o autismo com respeito, responsabilidade e atenção às evidências.
Uma história recente, divulgada pelo Canal Autismo, ilustra a realidade de muitas famílias atípicas no Brasil. Margareth Bruno, mãe de dois meninos, recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) somente aos 40 anos, em 2023, depois que o marido percebeu semelhanças entre ela e os filhos. O caso dela não é isolado: muitas mulheres autistas passam anos sem um diagnóstico correto, especialmente quando os sinais são diferentes dos observados em meninos.
Uma trajetória de diagnósticos equivocados
Na infância, Margareth já apresentava características que hoje são reconhecidas como parte do espectro autista. No entanto, em vez de receber o diagnóstico de TEA, ela foi avaliada por neurologistas e psiquiatras que indicaram outras condições, sem oferecer um acompanhamento adequado. Essa falta de identificação precoce fez com que suas dificuldades se intensificassem ao longo dos anos, algo comum entre mulheres autistas que aprendem a “mascarar” seus comportamentos para se encaixar socialmente.
Os filhos de Margareth, Isaac e Samuel, foram diagnosticados com TEA e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Diferentemente da mãe, eles tiveram a sorte de ser identificados pela escola ainda pequenos, o que permitiu que recebessem acompanhamento desde cedo. A intervenção precoce é fundamental para o desenvolvimento de crianças autistas, pois ajuda a trabalhar habilidades de comunicação, interação social e autonomia.
Os desafios da rotina familiar
A rotina da família Bruno inclui terapias, medicação e cuidados com a seletividade alimentar, um desafio comum no espectro. Margareth descreve o dia a dia como corrido e difícil, especialmente porque mãe e filhos compartilham o diagnóstico. Ela ressalta, porém, que com uma rede de apoio sólida é possível superar os obstáculos diários.
Um ponto que Margareth destaca é a sobrecarga enfrentada por mães de autistas. O estresse constante, a falta de tempo para si e a preocupação com o futuro dos filhos podem levar a quadros de ansiedade e depressão. Além disso, a falta de acesso a serviços públicos, como vagas em centros municipais de atendimento, agrava ainda mais o cenário. Muitas famílias brasileiras dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) e enfrentam longas filas de espera para terapias e consultas especializadas.
O que essa história nos ensina?
O caso de Margareth evidencia a importância de olhar para o autismo de forma ampla, considerando que ele se manifesta de maneiras diferentes em cada pessoa. Também reforça a necessidade de os profissionais de saúde e educação estarem atentos aos sinais de TEA em meninas e mulheres, que muitas vezes são subdiagnosticadas.
Para pais e mães que suspeitam que seus filhos possam ser autistas, a orientação é buscar avaliação com profissionais qualificados, como neuropediatras ou psiquiatras infantis, e procurar apoio em associações e grupos de famílias atípicas. O diagnóstico precoce abre portas para intervenções que podem melhorar significativamente a qualidade de vida.
Se você se identificou com essa história e acha que pode estar no espectro, lembre-se de que nunca é tarde para buscar respostas. O autismo é uma condição que acompanha a pessoa por toda a vida, mas com o suporte adequado é possível viver de forma plena e satisfatória.
Na AMAES, reforçamos que este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação profissional. Se você ou alguém que você conhece precisa de orientação, procure um especialista de confiança.
Fonte: Canal Autismo – “Escritora é diagnosticada com autismo depois dos dois filhos”

