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Autismo: abril é um convite à escuta e à inclusão

Abril é um mês que convida a sociedade a olhar com mais atenção para o Transtorno do Espectro Autista, mas, para quem vive essa realidade todos os dias, a conscientização precisa ir muito além de uma data no calendário.

 
Ainda avançamos menos do que poderíamos quando o assunto é inclusão efetiva, aquela que se materializa no acesso e nas oportunidades.

Os dados mais recentes mostram a dimensão dessa pauta. O Censo Demográfico 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo no Brasil, o equivalente a 1,2% da população.

Sabemos, no entanto, que esse número pode ser maior, considerando a subnotificação e as dificuldades de diagnóstico. Em nível global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 1 em cada 100 crianças esteja dentro do espectro, o que evidencia que estamos diante de uma realidade ampla, que exige respostas estruturadas da sociedade e do poder público.

Além disso, muitos adultos permanecem sem diagnóstico ou sem o suporte necessário, o que impacta diretamente o acesso a direitos básicos, como educação inclusiva, acompanhamento em saúde e inserção no mercado de trabalho.

Isso revela a necessidade de fortalecer políticas públicas e ampliar o acesso a serviços especializados em todas as regiões.

Quando falamos em conscientização, estamos falando de responsabilidade coletiva. É essencial ampliar o conhecimento sobre o autismo em diferentes espaços, das escolas aos ambientes profissionais, passando pelos serviços de saúde e pelas decisões institucionais.

Na Associação dos Amigos dos Autistas do Estado do Espírito Santo (Amaes), acompanhamos de perto a realidade de milhares de famílias e sabemos o quanto o acolhimento e a informação fazem diferença.

A conscientização transforma olhares, reduz barreiras e abre caminhos. Abril é simbólico, mas o compromisso precisa ser permanente.

Falar sobre autismo é, acima de tudo, falar sobre dignidade, respeito e direito de existir com autonomia em uma sociedade que ainda está em processo de aprendizado sobre o que significa, de fato, incluir.

*Pollyana Paraguassú é presidente da Associação dos Amigos dos Autistas do Estado do Espírito Santo (Amaes)

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