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O número de profissionais neurodivergentes contratados no Brasil aumentou 66% nos últimos dois anos, de acordo com um levantamento da plataforma Gupy. O dado foi divulgado pelo Canal Autismo e indica um movimento de ampliação da presença de pessoas neurodivergentes no mercado de trabalho formal.
Neurodivergente é um termo que abrange pessoas com diferentes formas de funcionamento neurológico, incluindo pessoas autistas, com TDAH, dislexia e outras condições. A neurodiversidade parte do princípio de que essas variações fazem parte da diversidade humana e não devem ser tratadas como defeitos ou doenças.
O que os números mostram
Segundo o levantamento da Gupy, março deste ano registrou o maior número de admissões de pessoas neurodivergentes em um único mês desde o início da série histórica da plataforma: 315 contratações. O volume reforça a tendência de crescimento observada ao longo dos últimos dois anos.
Além das contratações, a empresa também registrou avanço nas ações de capacitação. Em julho de 2024, mais de 1.700 profissionais participaram de treinamentos sobre neurodiversidade oferecidos pela Gupy. Esse dado sugere que o tema tem ganhado espaço dentro das organizações, não apenas nos processos seletivos, mas também na formação de equipes.
Possíveis causas do crescimento
De acordo com o Correio Braziliense, o aumento das contratações pode estar relacionado a três fatores principais: a ampliação do conhecimento sobre neurodiversidade, a realização de diagnósticos na vida adulta e a criação de programas de diversidade e inclusão nas empresas.
A especialista em gestão humanizada Juliana Dandrade afirmou que a quebra de estigmas e preconceitos, somada ao aumento da conscientização sobre o tema, fez com que muitas empresas passassem a enxergar esses profissionais por suas competências e potencial, e não por suas diferenças.
Já Ylana Miller, especialista em gestão de carreira, também atribui o crescimento ao diagnóstico tardio de autismo e afirma que esse fenômeno está se refletindo nas empresas. Ela declarou que o processo de evolução ainda está em curso e que o recrutamento neuroinclusivo substitui as entrevistas tradicionais por testes práticos e outros processos que antes não eram vistos com a frequência atual.
Impactos para profissionais e empresas
Para os profissionais, a entrada no mercado de trabalho pode estar relacionada à autonomia financeira, ao desenvolvimento de carreira, ao reconhecimento de competências e à participação social. As especialistas também mencionam aspectos como pertencimento, motivação, autoconfiança e segurança psicológica como possíveis efeitos da inclusão no ambiente profissional.
Esses elementos indicam que a contratação de pessoas neurodivergentes não se limita ao preenchimento de vagas, mas pode influenciar a trajetória profissional e o bem-estar no trabalho. Cada pessoa autista ou neurodivergente é única, com características, necessidades e potencialidades próprias, e generalizações sobre comportamentos ou preferências não devem ser feitas.
Orientações práticas
Para pessoas neurodivergentes que buscam espaço no mercado de trabalho, algumas orientações podem ser úteis. É importante conhecer os próprios pontos fortes e necessidades, buscar informações sobre os direitos garantidos pela legislação brasileira e identificar empresas que desenvolvam programas de diversidade e inclusão.
Famílias e cuidadores podem apoiar esse processo incentivando a autonomia, ajudando na organização de documentos e acompanhando as etapas dos processos seletivos. Profissionais de recursos humanos e gestores podem se informar sobre neurodiversidade e considerar adaptações nos processos de recrutamento, como a substituição de entrevistas tradicionais por testes práticos, conforme mencionado pelas especialistas.
Quando houver dúvidas sobre diagnóstico, suporte ou adaptações no ambiente de trabalho, é recomendável procurar profissionais qualificados, como médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais e especialistas em inclusão. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento profissional.
Conclusão
O levantamento da Gupy aponta um crescimento de 66% nas contratações de profissionais neurodivergentes no Brasil nos últimos dois anos, com destaque para março deste ano, que registrou 315 admissões. O aumento pode estar ligado à maior conscientização sobre neurodiversidade, ao diagnóstico na vida adulta e a programas de diversidade e inclusão nas empresas.
Especialistas ouvidas pelo Correio Braziliense destacam a quebra de estigmas e a adoção de processos seletivos mais inclusivos como fatores desse movimento. Para os profissionais, a inclusão no mercado de trabalho pode representar autonomia financeira, desenvolvimento de carreira e participação social. A AMAES, Associação dos Amigos dos Autistas do Estado do Espírito Santo, atua no acolhimento, orientação, apoio e defesa dos direitos das pessoas autistas e de suas famílias, reforçando que cada pessoa é única e que a informação de qualidade contribui para uma sociedade mais inclusiva.

