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Algumas crianças podem apresentar, ao mesmo tempo, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a Apraxia de Fala na Infância (CAS, na sigla em inglês). Essa coexistência tem sido tema de discussão clínica e científica, especialmente porque envolve dois quadros distintos que podem impactar a comunicação de maneiras diferentes. Compreender essa possibilidade é importante para famílias, cuidadores e profissionais que buscam avaliação e apoio adequados.
O que é a Apraxia de Fala na Infância
A Apraxia de Fala na Infância é um transtorno neurológico motor da fala. Nesse quadro, o cérebro não envia de forma eficiente as instruções necessárias para que os músculos da boca, da língua e dos lábios se movimentem na sequência correta. Trata-se de um diagnóstico específico, que exige avaliação profissional qualificada. A intervenção precoce é considerada essencial para ampliar as oportunidades de comunicação e de desenvolvimento da linguagem.
Coocorrência com o autismo: o que a pesquisa indica
Pesquisas sugerem que, em determinados grupos clínicos, a coexistência entre autismo e apraxia de fala é mais comum do que se acreditava anteriormente. Um estudo de Tierney et al. (2015) identificou que 63,6% das crianças inicialmente diagnosticadas com autismo também receberam diagnóstico de apraxia de fala. Esses dados reforçam a importância de uma avaliação atenta e multidisciplinar, capaz de distinguir e reconhecer as duas condições quando elas se apresentam juntas.
Comunicação Aumentativa e Alternativa como apoio
A Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) reúne métodos, estratégias e ferramentas que apoiam ou substituem temporariamente a fala. Ela é recomendada quando a fala está ausente, é muito limitada ou é difícil de compreender. A ciência é clara ao afirmar que a CAA não impede o desenvolvimento da fala. Entre as abordagens estruturadas, destaca-se o PECS, baseado em recursos visuais e ensinado em fases progressivas. O PECS tem sido utilizado com sucesso por crianças com diferentes desafios de comunicação, incluindo aquelas com apraxia de fala na infância.
Atualização da CID-11 e a realidade brasileira
Com a atualização para a CID-11, a Apraxia de Fala na Infância passou a ser contemplada no código 6A01.0 — Transtornos do Desenvolvimento dos Sons da Fala. No Brasil, embora a Organização Mundial da Saúde tenha adotado oficialmente a CID-11 em 2022, a implementação completa está prevista para 2027. Até lá, a CID-10 continua sendo utilizada para registros administrativos.
Impactos para pessoas autistas, famílias e profissionais
O reconhecimento da apraxia de fala na CID-11 e a discussão sobre sua coocorrência com o autismo trazem implicações práticas. Para as famílias, isso significa a importância de buscar avaliação profissional quando há dúvidas sobre a comunicação da criança. Para os profissionais, reforça a necessidade de considerar diferentes hipóteses diagnósticas e de encaminhar para especialistas quando necessário. Para as pessoas autistas, o acesso a recursos de comunicação, como a CAA, pode ampliar possibilidades de expressão e participação.
Orientações práticas
- Diante de dúvidas sobre o desenvolvimento da fala, procurar profissionais qualificados, como fonoaudiólogos, pediatras e outros especialistas em desenvolvimento infantil.
- Informar-se sobre a Apraxia de Fala na Infância e suas características, lembrando que cada criança é única.
- Conhecer os recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa e conversar com profissionais sobre a pertinência de sua introdução.
- Acompanhar as atualizações sobre a CID-11 e seus efeitos nos registros e acessos a direitos.
Conclusão
A possível coexistência entre autismo e apraxia de fala na infância é um tema relevante para famílias, profissionais e pessoas autistas. A pesquisa de Tierney et al. (2015) aponta que 63,6% das crianças inicialmente diagnosticadas com autismo também receberam diagnóstico de apraxia de fala, o que reforça a importância de avaliação cuidadosa. A intervenção precoce e o uso da Comunicação Aumentativa e Alternativa, incluindo o PECS, são recursos que podem apoiar o desenvolvimento da comunicação. A atualização da CID-11, que passou a incluir a apraxia de fala no código 6A01.0, representa um avanço no reconhecimento do quadro, ainda que a implementação completa no Brasil esteja prevista para 2027. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento profissional.

