Imagem ilustrativa · Gustavo Fring / Pexels
Um relato pessoal publicado em 1º de setembro de 2026, no Canal Autismo, descreve a rotina do autor Nícolas Brito Sales com seu cão, Brownie, e como a presença do animal contribui para o seu bem-estar emocional. O texto, intitulado “Brownie e o ‘passear'”, mostra a reação do cachorro ao ouvir a palavra que antecipa as caminhadas e serve de ponto de partida para refletir sobre o papel dos animais de apoio emocional e dos cães de assistência na vida de pessoas autistas.
O que o relato de Brownie revela sobre a relação entre cães e seres humanos
Segundo o autor, Brownie é um Border Collie de 6 meses, raça frequentemente apontada como uma das mais inteligentes do mundo. Ao ouvir a palavra “passear”, o cão fica animado e feliz: pula, corre de um lado para o outro e mostra onde a coleira é guardada. Para evitar que o animal sinta ansiedade em momentos inadequados, o autor e as pessoas próximas costumam sussurrar a palavra ou pedir que visitantes usem “a palavra com P”.
O autor afirma que ver a felicidade do seu companheiro é um dos motivos que tornam as caminhadas prazerosas e essenciais para ele. Ele também destaca que passear com cães beneficia tanto os animais quanto as pessoas que os conduzem. Além disso, contesta a expressão “o cão é o melhor amigo do homem”, argumentando que os cães são os melhores amigos de homens, mulheres, crianças e seres humanos em geral.
Por que essa conexão pode ser significativa para pessoas no espectro autista
De acordo com o autor, essa ligação é especialmente significativa para muitas crianças e adultos no espectro autista. Ele observa que ter um animal de estimação que não julga, não exige contato visual constante e ama a pessoa como ela é pode ajudar na regulação emocional. O próprio autor relata que Brownie atua como seu apoio emocional em muitos dias.
É importante lembrar que cada pessoa autista é única, com características, necessidades e potencialidades próprias. O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que se manifesta de formas diversas. A neurodiversidade nos convida a reconhecer e respeitar essas diferenças.
Diferenças entre animais de apoio emocional e cães de assistência
O texto esclarece que alguns cães desempenham trabalho oficial para pessoas que precisam. Os animais de apoio emocional são companheiros que oferecem conforto, ajudam a reduzir a solidão e a ansiedade e proporcionam segurança simplesmente por estarem presentes no dia a dia.
Já os cães de assistência, também chamados de cães de serviço, passam por treinamento longo e rigoroso para executar tarefas específicas que auxiliam pessoas autistas em suas rotinas. Entre as tarefas citadas pelo autor estão:
- Aplicar pressão profunda, como deitar no colo, para ajudar a acalmar alguém durante uma crise de sobrecarga sensorial;
- Impedir que uma criança corra para a rua sem olhar para os dois lados;
- Interromper comportamentos que possam causar dano ou colocar a pessoa em risco.
Essas funções mostram como o treinamento pode ser direcionado a necessidades concretas de segurança e regulação. No entanto, é fundamental que qualquer decisão sobre a adoção de um animal de apoio ou de assistência seja tomada com orientação de profissionais qualificados, considerando as particularidades de cada pessoa e de cada família.
Impactos e aplicações para pessoas autistas, familiares e profissionais
O relato sugere que a presença de um cão pode contribuir para o bem-estar emocional e para a regulação de emoções, tanto em momentos de tranquilidade quanto em situações desafiadoras. Para familiares e cuidadores, a experiência descrita reforça a importância de observar como cada pessoa autista se relaciona com os animais e de respeitar seus limites e preferências.
Profissionais que atuam com autismo podem considerar o papel complementar que animais de apoio emocional e cães de assistência desempenham, sempre dentro de um plano individualizado e baseado em evidências. O texto não apresenta promessas de tratamento ou cura, mas destaca benefícios percebidos pelo autor em sua própria vivência.
Orientações práticas para quem considera essa possibilidade
Antes de pensar em um animal de apoio emocional ou de assistência, é recomendável buscar informações com profissionais especializados, como médicos veterinários, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros membros de uma equipe multidisciplinar. Eles podem ajudar a avaliar se essa escolha faz sentido para a pessoa autista e para a família, além de orientar sobre cuidados, treinamento e responsabilidades envolvidas.
Vale lembrar que este conteúdo é informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento profissional. Cada pessoa autista é única, e as decisões sobre intervenções e apoios devem ser individualizadas.
Conclusão
O relato de Nícolas Brito Sales sobre Brownie ilustra como a relação com um cão pode trazer alegria e apoio emocional no cotidiano. O texto também diferencia animais de apoio emocional de cães de assistência, que passam por treinamento específico para tarefas que promovem segurança e autonomia. Para pessoas autistas, familiares e profissionais, a mensagem central é de que cada experiência é singular e deve ser construída com respeito, informação de qualidade e acompanhamento adequado.
A AMAES, Associação dos Amigos dos Autistas do Estado do Espírito Santo, atua no acolhimento, orientação, apoio e defesa dos direitos das pessoas autistas e de suas famílias. A associação acredita que o acesso à informação de qualidade contribui para ampliar a compreensão sobre o autismo e fortalecer uma sociedade mais inclusiva.

