Imagem ilustrativa · Tara Winstead / Pexels
Uma revisão que analisou oito estudos brasileiros e internacionais, com mais de 24 mil participantes, identificou intervalos variados entre as primeiras preocupações de familiares e cuidadores e a confirmação do diagnóstico de autismo. Em um dos levantamentos, esse intervalo teve média de 49 meses. Os pesquisadores alertam que esse número não representa o tempo de espera de todas as crianças no Brasil.
O que a revisão encontrou sobre os prazos
Os resultados diferiram entre os estudos analisados. Entre crianças atendidas nos Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi), a idade média no momento do diagnóstico foi de 66 meses. Nesse mesmo contexto, 30,4% dos casos foram diagnosticados antes dos 48 meses.
Outro levantamento registrou idade média de 47,3 meses no diagnóstico. Um terceiro estudo apontou intervalo de 27 meses entre a preocupação inicial dos cuidadores e a confirmação do transtorno do espectro autista (TEA). Já pesquisas realizadas em serviços terciários — de maior complexidade — registraram atrasos médios de 36 e 49 meses.
Fatores que contribuem para a demora
A revisão relaciona os atrasos a uma combinação de fatores ligados às famílias, aos profissionais e à organização dos serviços de saúde. Entre os pontos citados estão:
- dificuldade em reconhecer os sinais precoces de autismo;
- desconsideração das preocupações trazidas pelas famílias;
- acompanhamento insuficiente do desenvolvimento infantil;
- ausência de instrumentos de triagem;
- encaminhamentos tardios;
- escassez de profissionais especializados.
O percurso até o diagnóstico também pode envolver várias consultas e encaminhamentos, além de deslocamentos para outras cidades ou capitais em busca de avaliação.
Atenção primária e capacitação profissional
A revisão aponta a atenção primária à saúde como um dos pontos que podem ajudar a identificar o autismo. Um dos estudos analisados avaliou o treinamento de profissionais da atenção primária e observou aumento no conhecimento sobre autismo e no número de encaminhamentos. Os pesquisadores ressaltam que são necessários estudos maiores para avaliar estratégias aplicáveis em contextos diferentes.
Limitações da literatura científica
Os autores identificaram lacunas na literatura disponível. A maior parte dos estudos foi realizada na região Sudeste. Há menos informações sobre a região Norte, áreas rurais e locais com menos serviços. A participação nos estudos foi predominantemente masculina, com proporções de meninos entre 80% e 97%. Também há poucos dados sobre raça e etnia.
A revisão conclui que os atrasos decorrem de uma combinação de fatores e defende pesquisas com maior diversidade regional e métodos padronizados.
O que isso significa para famílias e profissionais
Os achados reforçam a importância de que sinais precoces sejam levados a sério e de que o desenvolvimento infantil seja acompanhado de perto. A revisão não indica um único caminho para resolver o problema, mas sugere que a capacitação de profissionais da atenção primária pode contribuir para identificar o autismo e encaminhar as famílias de forma mais ágil.
Diante de dúvidas sobre o desenvolvimento de uma criança, a orientação é procurar profissionais qualificados. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento profissional.
Conclusão
A revisão de oito estudos, com mais de 24 mil participantes, mostra que os intervalos entre as primeiras preocupações dos cuidadores e o diagnóstico de autismo variam bastante, com médias que chegam a 49 meses em um dos levantamentos. Os pesquisadores alertam que esse dado não representa todas as crianças brasileiras. Os atrasos estão associados a fatores das famílias, dos profissionais e da organização dos serviços de saúde. A revisão também aponta a atenção primária como espaço estratégico para identificação e destaca a necessidade de mais pesquisas, com maior diversidade regional e métodos padronizados.
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