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Krícis Heather Torres, médica de 33 anos, recebeu diagnóstico de autismo em maio deste ano. A descoberta veio depois de mais de uma década em que ela buscou explicações para sintomas como cansaço persistente e sensibilidade a ruídos, cheiros e texturas. Antes do diagnóstico de autismo, Krícis Heather Torres havia sido diagnosticada com depressão e transtorno de ansiedade generalizada. Ela passou por diferentes profissionais, tratamentos e mudanças de cidade.
A AMAES, Associação dos Amigos dos Autistas do Estado do Espírito Santo, acredita que o acesso à informação de qualidade contribui para ampliar a compreensão sobre o autismo e fortalecer uma sociedade mais inclusiva. Cada pessoa autista é única, com suas características, necessidades e potencialidades. Por isso, compartilhamos conteúdos com responsabilidade, respeito à diversidade e atenção às evidências.
Trajetória profissional e diagnóstico tardio
Krícis Heather Torres formou-se em cirurgia geral em 2020 e havia planejado seguir para a subespecialização em urologia. Segundo o G1, a percepção dos sinais se intensificou após a residência, quando estímulos do ambiente hospitalar começaram a interferir em sua rotina. Entre os fatores que provocavam desconforto estavam os alarmes de equipamentos no pós-operatório e os cheiros do ambiente esterilizado.
O diagnóstico de autismo, também chamado de transtorno do espectro autista (TEA), chegou depois de anos em que a médica buscou respostas para suas experiências. O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que pode envolver diferenças na comunicação, na interação social e na forma de processar estímulos sensoriais. Cada pessoa autista vivencia essas características de maneira própria, e o diagnóstico deve ser feito por profissionais qualificados.
Adaptações no ambiente de trabalho e limites
Depois do diagnóstico, o hospital permitiu que Krícis Heather Torres utilizasse fones de ouvido durante os procedimentos. O uso dos fones reduziu parte da exposição ao ruído, mas não eliminou o desgaste associado ao trabalho. Durante os plantões, ela passou a ignorar necessidades básicas, como comer, beber água e ir ao banheiro.
Esses relatos mostram como o ambiente hospitalar pode apresentar barreiras sensoriais e de rotina para profissionais autistas. A adaptação do espaço e das tarefas, quando possível, pode contribuir para que a pessoa autista exerça sua atividade com mais condições de cuidado consigo mesma. No entanto, cada situação exige avaliação individual e não há uma solução única.

Decisão de deixar a cirurgia e recomeço
Após a avaliação, Krícis Heather Torres passou a interpretar experiências anteriores de outra maneira e decidiu deixar a atuação em cirurgia. Em depoimento, ela afirmou: “É um processo difícil porque você se pergunta: como passei a vida toda sem saber disso? Isso muda a forma como eu enxergo a minha vida, como eu entendo algumas das coisas que eu vivi. Mas, ao mesmo tempo, é um alívio porque eu achava que era algum exagero meu, que eu tinha que aguentar”.
A fala da médica reflete um aspecto comum entre pessoas que recebem o diagnóstico de autismo na vida adulta: a reinterpretação de vivências passadas. O diagnóstico não define a pessoa, mas pode oferecer um novo olhar sobre sua história e suas necessidades.
Impactos para pessoas autistas, famílias e profissionais
A história de Krícis Heather Torres evidencia a importância de ambientes de trabalho mais acolhedores e da compreensão das necessidades sensoriais. Para pessoas autistas, familiares e profissionais de saúde, o relato reforça que o diagnóstico de autismo pode chegar em diferentes fases da vida e que o suporte adequado faz diferença.
É fundamental lembrar que o conteúdo aqui apresentado é informativo e não substitui avaliação ou acompanhamento profissional. Cada pessoa autista é única, e as experiências relatadas não devem ser generalizadas. A busca por profissionais qualificados é essencial para compreender as necessidades individuais e acessar os apoios disponíveis.
Orientações práticas e acolhimento
Para quem busca informações sobre autismo, é importante procurar fontes confiáveis e profissionais especializados. O diagnóstico de autismo deve ser realizado por uma equipe qualificada, que considere a história de vida e as características de cada pessoa. O acolhimento de familiares e cuidadores também é parte fundamental desse processo.
A AMAES atua no Espírito Santo no acolhimento, orientação, apoio e defesa dos direitos das pessoas autistas e de suas famílias. A associação reforça que a informação de qualidade e o respeito à neurodiversidade contribuem para uma sociedade mais inclusiva.
Conclusão
O diagnóstico de autismo de Krícis Heather Torres, aos 33 anos, a levou a repensar sua trajetória e a deixar a atuação em cirurgia. O relato destaca os desafios sensoriais enfrentados no ambiente hospitalar, a importância de adaptações e a necessidade de suporte ao longo da vida. A história também mostra que o diagnóstico pode trazer alívio e uma nova compreensão de experiências passadas. Cada pessoa autista é única, e o respeito às suas necessidades é um passo essencial para a inclusão.
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